domingo, 12 de fevereiro de 2012

José....


Então José?
Como que é?
Você desafia a morte,
Deixa todo mundo cego,
Fala sobre o sexo,
Guarda para si o amor...
O que você pensa José?
Segue os caminhos de Marx,
Deseja o fim da desigualdade,
Risca paredes da humanidade...
Você, José,
Encontrou a mulher
No bar do hotel,
E viu o chão tremer,
Trocou palavras,
Fez de um único pilar
A sustentação do mundo...
Fala José,
Das palavras escritas...
Do desejo de vida,
Na descrença em Deus,
Nas obscenidades das religiões,
Dos filhos crescidos,
Dos leitores que nascem,
Dos prêmios que reconhecem...
E as dúvidas, quais são José?
Muitas voltas,
O mesmo lugar,
O fim da estrada,
A vida sua que nunca acaba,
O pilar que segue carimbando seus passos,
Traduzindo seus traços...
Fala José?
Você que sempre tão quieto,
Falou mais alto,
Falou mais que todos...
Foram voltas e voltas na roda-gigante,
Não foram, José?
Você não acaba,
Não acabou,
Mas é simplesmente...
Magro, calvo,
De óculos e rugas,
Dando tapas na bunda,
Arfando nas ideias,
Tentando respirar para uma nova frase
Que fica no ar...
É, é você,
José....

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